18 de fevereiro de 2016

Carol

Amor Proibido 

Dir: Todd Haynes, EUA/Reino Unido, 2015, 1h58min
IMDB                 Trailer                 Roteiro


Como explicar a atração que sentimos por outra pessoa? Essa é a questão que Carol mais busca responder. O filme recebeu 6 indicações ao Oscar 2016: atriz principal, roteiro adaptado, trilha sonora, fotografia, figurino e atriz coadjuvante. Tem alguma chance de ganhar nestas duas últimas, mas é mais provável que não receba nenhum prêmio.

Na trama vemos o amor entre duas mulheres no início dos anos 50 nos EUA: a dondoca Carol, rica, segura e experiente, com histórico de romances homoafetivos anteriores e a vendedora Therese, seu extremo oposto. O lento desenvolvimento da relação entre estas duas personagens, com a busca pelos pequenos gestos que faz com que uma pessoa sinta atração - tanto física quanto afetiva - por outra, é o ponto alto da produção.

A segunda parte envolve a batalha judicial de Carol para mostrar que é uma mãe digna e que sua conduta pessoal não irá prejudicar o desenvolvimento de sua filha. Para tanto, ela se vê obrigada a se afastar de Therese. Nessa parte, ao contrário da primeira, verifica-se um ativismo em prol da causa GLBTT que gera anacronismo e reduz o impacto da obra. Em parte isso se explica pelo engajamento do diretor Todd Haynes à causa gay - ele é considerado um dos maiores expoentes do new queer cinema. Prova do anacronismo é um discurso engajado de Carol assumindo sua homossexualidade em um encontro com seu marido e seus advogados e dizendo que isso é problema dela e que não afeta ninguém, e os homens ficam surpresos, mas reflexivos. Bonito mas artificial, já que é anacrônico. Conforme a mentalidade da época, os homens iriam é ter nojo de tal declaração. Há produções com o tema que não sofrem com esse problema como O Segredo de Brokebak Mountain (que deveria ter ganhado o Oscar em 2006) e Azul é a Cor Mais Quente.

Apesar dessa artificialidade, o filme tem grandes méritos. O melhor é a sutileza com que conduz a relação das duas. Carol nunca coloca Therese contra a parede. Apenas vai lentamente se aproximando, sem ser também uma estrategista maquiavélica. Apenas se aproxima pela atração que se estabelece desde o primeiro encontro entre elas. 

Essa sutileza também se revela na fotografia do filme, indicada ao Oscar. Há muitos closes em pequenos detalhes do cenários, algumas cenas através de vidros e foi utilizado o antigo filme de 16mm para dar uma aspecto que a obra teria se tivesse sido rodada na época retratada.

As atrizes são e estão ótimas. Cate Blanchett confirma ser uma das melhores atrizes do cinema atual após sua premiação na cerimônia retrasada por Blue Jasmine. Rooney Mara é uma estrela em ascensão e passa toda a delicadeza de sua personagem. Dificilmente irão levar o prêmio por conta das fortes concorrentes [o pitaco com as apostas ao Oscar será publicado às vésperas da premiação], mas merecem aplausos.

Carol é um filme delicado e sutil. Só erra um pouco por conta do anacronismo de querer levar aos anos 50 a luta pela causa gay. Mas é um fato menor, que não tira a beleza da obra.

Nota: 7

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